OLÁ FILÓSOFOS E FILÓSOFAS

Quando iniciamos um curso de Filosofia ou aulas de cunho filosófico, ouvimos a primeira pergunta "filosófica": "Para que serve a Filosofia?"
É a essa e várias outras perguntas que nesse nosso Blog perseguiremos. Não vamos dar respostas prontas, mas nos ajudaremos a encontrarmos nossas respostas!

Boa leitura, boa pesquisa!

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Análise do Conhecimento em Kant


Por: *Jucelino Moreira de Carvalho


Fazendo um estudo da teoria do conhecimento, passando um pouco no criticismo kantiano, ele começa a “Crítica da razão Pura” a bem dizer afirmando que na mente humana só há uma intuição sensitiva. A intuição é conhecer as coisas como se apresentam a nós, ela está na própria sensibilidade humana, na sua percepção do mundo. Não é uma intuição do intelecto, pois o intelecto só pensa sobre algo depois que recebe informações da sua sensibilidade, formando assim, conceitos e juízos sobre o objeto. Para ele, é de competência do intelecto refletir sobre algo e julgar, ou seja, considerando o porquê e a causa do objeto. A construção do juízo pelo intelecto só se da depois de uma interação entre sujeito e objeto.
Além disso, o conhecimento se inicia com a percepção ou intuição sensitiva. As coisas se apresentam ao homem através de cores, luzes, sensações, daí o homem absorve essa percepção e no seu intelecto forma conceitos e juízos, levando-o ao conhecimento da percepção. E nessa percepção de conceitos e juízos, que a percepção se torna consciência, ou seja, se torna algo a ser pensado. Mas para conhecer, é preciso já haver no sujeito consciência do que se percebe. O primeiro conhecimento humano é a sua consciência de que pode conhecer. Só a partir dessa conexão e da sua relação com o objeto em si é que a percepção se torna consciência do seu conhecimento, unindo a intuição com o entendimento.
Na sua filosofia, Kant se depara com duas linhas de pensamento, ou sistemas filosóficos. Primeiro o racionalismo, o qual diz que o conhecimento se dá anterior a experiência, ou seja, a priori no seu primeiro sentido. O outro, o empirismo, afirma que o conhecimento só se dá através da experiência, ou seja, a posteriori. Então, Kant tenta fazer uma mediação entre esses dois sistemas, mudando o conceito de “a priori” dado pelos racionalistas, e acrescenta a experiência e o pensamento como envergaduras do conhecimento.
Para Kant, o “a priori” é o conhecimento independente da experiência, mas não anterior a ela. Ele divide o “a priori” e puro e não puro. O a priori puro é o conhecimento totalmente independente da experiência, desprovido de qualquer elemento empírico. Quando em uma afirmação há um termo que só pode ser tirado da experiência, esse enunciado não pode ser mais a priori puro. Assim, o conhecer a priori é somente mostrar como e quais elementos intuitivos podem servir à formação de juízos, para assim se determinar a causalidade das coisas.
O espírito humano é capaz de receber representações do mundo sensível, através da percepção ou intuição sensível. Mas quando se forma e se produz em si próprio essa representação é o entendimento, mostrando como se pode pensar o objeto da intuição e como somos afetados por esses objetos.  Sensibilizar os conceitos é torná-los palpáveis, perceptíveis, dando-lhes um objeto da intuição. Além disso, fazer as intuições inteligíveis é aplicar-lhes conceitos, eleva-las ao conhecimento intelectivo, formulando juízos e tornando-os mais conhecíveis. Mas é necessário sempre uma junção das duas capacidades humanas para se chegar ao conhecimento.
Ainda em Kant, a unidade da consciência é a representação única que deve estar presente em toda consciência antes de qualquer intuição. Ele deve ser idêntico, sem poder ser acompanhada de nenhuma outra. Essa unidade é o próprio pensamento do intelecto, na relação entre o espírito pensante e o objeto pensado, sendo distinguido da sua multiplicidade. É o intelecto que através do pensamento unifica as representações dadas, sendo assim, o principio do conhecimento humano.




* Licenciado em Filosofia pela FAERPI; Bacharel em Teologia pela FAERPI; Graduando em História pela UNEB.

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