Por: *Jucelino
Moreira de Carvalho
Fazendo um estudo da teoria do conhecimento, passando um pouco no
criticismo kantiano, ele começa a “Crítica da razão Pura” a bem dizer afirmando
que na mente humana só há uma intuição sensitiva. A intuição é conhecer as
coisas como se apresentam a nós, ela está na própria sensibilidade humana, na
sua percepção do mundo. Não é uma intuição do intelecto, pois o intelecto só
pensa sobre algo depois que recebe informações da sua sensibilidade, formando
assim, conceitos e juízos sobre o objeto. Para ele, é de competência do
intelecto refletir sobre algo e julgar, ou seja, considerando o porquê e a
causa do objeto. A construção do juízo pelo intelecto só se da depois de uma
interação entre sujeito e objeto.
Além disso, o conhecimento se inicia com a percepção ou intuição
sensitiva. As coisas se apresentam ao homem através de cores, luzes, sensações,
daí o homem absorve essa percepção e no seu intelecto forma conceitos e juízos,
levando-o ao conhecimento da percepção. E nessa percepção de conceitos e
juízos, que a percepção se torna consciência, ou seja, se torna algo a ser
pensado. Mas para conhecer, é preciso já haver no sujeito consciência do que se
percebe. O primeiro conhecimento humano é a sua consciência de que pode
conhecer. Só a partir dessa conexão e da sua relação com o objeto em si é que a
percepção se torna consciência do seu conhecimento, unindo a intuição com o
entendimento.
Na sua filosofia, Kant se depara com duas linhas de pensamento, ou
sistemas filosóficos. Primeiro o racionalismo, o qual diz que o conhecimento se
dá anterior a experiência, ou seja, a priori no seu primeiro sentido. O outro,
o empirismo, afirma que o conhecimento só se dá através da experiência, ou
seja, a posteriori. Então, Kant tenta fazer uma mediação entre esses dois
sistemas, mudando o conceito de “a priori” dado pelos racionalistas, e
acrescenta a experiência e o pensamento como envergaduras do conhecimento.
Para Kant, o “a priori” é o conhecimento independente da experiência, mas
não anterior a ela. Ele divide o “a priori” e puro e não puro. O a priori puro
é o conhecimento totalmente independente da experiência, desprovido de qualquer
elemento empírico. Quando em uma afirmação há um termo que só pode ser tirado
da experiência, esse enunciado não pode ser mais a priori puro. Assim, o
conhecer a priori é somente mostrar como e quais elementos intuitivos podem
servir à formação de juízos, para assim se determinar a causalidade das coisas.
O espírito humano é capaz de receber representações do mundo sensível,
através da percepção ou intuição sensível. Mas quando se forma e se produz em
si próprio essa representação é o entendimento, mostrando como se pode pensar o
objeto da intuição e como somos afetados por esses objetos. Sensibilizar os conceitos é torná-los
palpáveis, perceptíveis, dando-lhes um objeto da intuição. Além disso, fazer as
intuições inteligíveis é aplicar-lhes conceitos, eleva-las ao conhecimento
intelectivo, formulando juízos e tornando-os mais conhecíveis. Mas é necessário
sempre uma junção das duas capacidades humanas para se chegar ao conhecimento.
Ainda em Kant, a unidade da consciência é a representação única que deve
estar presente em toda consciência antes de qualquer intuição. Ele deve ser idêntico,
sem poder ser acompanhada de nenhuma outra. Essa unidade é o próprio pensamento
do intelecto, na relação entre o espírito pensante e o objeto pensado, sendo
distinguido da sua multiplicidade. É o intelecto que através do pensamento
unifica as representações dadas, sendo assim, o principio do conhecimento
humano.
* Licenciado em
Filosofia pela FAERPI; Bacharel em Teologia pela FAERPI; Graduando em História
pela UNEB.
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