Aristóteles foi um dos grandes filósofos da antiguidade, que se preocupou com as questões relacionadas à práxis humana. Nasceu em Estagira por volta do ano 384/383 a. C. Aos dezoito anos viajou para Atenas e lá ingressou na academia platônica, onde desenvolveu e amadureceu o seu pensamento filosófico. Em 343/342 a. C. lhe fora confiada a educação do jovem Alexandre filho de Filipe da Macedônia. Por volta do ano 335/334 a. C., retorna a Atenas e começa a ensinar peripateando (passeando) pelo grande jardim ao lado do Templo sagrado de Apolo. Ao longo da vida produziu grandes escritos, divididos em dois grupos: os exotéricos e os escritos esotéricos. É considerado um dos precursores da ética filosófica e as suas obras mais famosas foram: a metafísica; os tratados de filosofia moral e política, alem da ética a Nicômaco, a Grande ética, a Poética e a Retórica.
A Ética a Nicômaco, uma das principais obras de Aristóteles, é considerada como sendo um dos primeiros tratados sobre a prática do agir humano como membro d'uma sociedade política. No inicio da obra, Aristóteles começa fazendo uma descrição do bem e os seus fins, pois, segundo ele, todas as ações humanas alargam-se a fins que são bens, bens que tendem a subordinar-se a um fim ultimo, isto é, o bem supremo, o qual os indivíduos chamam de felicidade. Felicidade que não deve está alicerçada no prazer, honra ou juntar riquezas, e sim um aperfeiçoar-se enquanto homem e nas atividades que o diferencia de todos os seres, isto é, “aos que desejam e agem de acordo com um principio racional”. Princípio daquele que quer viver bem. De um modo ou de outro, todos os indivíduos desejam ser feliz. Tanto o homem vulgo como os de cultura superior têm a felicidade como fim e identificam o bem viver e o bem agir com o ser feliz. Entretanto, a verdadeira e ou a falsa felicidade se dá no modo pelo qual cada indivíduo põe a sua felicidade, pois o homem vulgo identifica o bem ou a felicidade com o prazer (vida do gozo) e os de vida contemplativa que se datem nas atividades virtuosas.
Aristóteles faz uma descrição daquilo que dever ser buscado por si mesmo e aquilo que é utilizado apenas como meio em vista de um bem maior. Entre eles estar o absoluto, buscado por si mesmo e, por isso, é absoluto e incondicional e a felicidade, que tem as demais virtudes como um meio de alcançá-la. Pois, seria impossível realizar atos nobres sem os devidos meios, ou seja, sem amigos, riquezas, poder político, a nobreza de nascimento e a beleza, cuja ausência compromete a felicidade. Também nos diz que o homem bom age de acordo com a razão e em consonância com as virtudes e, quanto mais assim fizer, mais virtuoso se torna. Nesse sentido, é possível perceber que Aristóteles não nega tais elementos, mas alerta para o fato de que não devem ser postos como fim ultimo a ser alcançado. Portanto, o sábio é alguém que age e direciona o seu agir conforme o bem, pois o que constitui a felicidade ou o seu contrario são as atividades virtuosas ou viciosas.
Diz-nos que a felicidade pertence ao número das coisas estimadas e perfeita pelo fato de ser ela um primeiro principio, porque é tendo-a em vista que o homem faz tudo que faz, alem disso, o primeiro principio e causa dos bens é algo de estimado e divino. Assim, a virtude e a felicidade são atividades essencialmente da alma. E um dos meios para se desenvolver tais atividades é através da política. Por ser ela a melhor. Por isso mesmo o político deve saber o que diz respeito à alma.
Ao final do livro I e inicio do livro II, Aristóteles faz uma diferenciação entre virtudes intelectuais e morais. As intelectuais (a sabedoria filosófica, a compreensão e a sabedoria poética) adquiridas por via de regras, que se desenvolve graças ao ensino. As virtudes morais (liberalidade e a temperança) adquirida por via do habito. Ambas as virtudes são adquiridas pelo exercício. O mesmo acontece com o homem, o qual se torna justo praticando atos justos, ou seja, ser moderado em suas ações, pois o justo está no meio termo visto que está na natureza das coisas o serem destruídas pela falta e pelo excesso. “Se dez libras é demais para uma pessoa comer e duas libras é demasiadamente pouco”, a justa medida será seis libras. O mesmo se aplica às virtudes morais e as paixões. O homem que se entrega ao prazer e não se abstem torna-se inteperante e os que evitam os prazeres se tornam incessíveis. Portanto, a virtude consiste nem no excesso nem na falta, mas é uma disposição que incidir numa mediania.
Portanto, a partir da leitura dos livros I e II da Ética a Nicômaco,foi possível perceber o interesse de Aristóteles em descrever o modo como o homem deve ser e agir no seu dia-a-dia, mostrando que todos desejam a felicidade, tanto o homem vulgo quanto o de cultura superior têm a felicidade como fim. Porém, a diferença se dar no deposito que cada um faz de tal felicidade, pois uns colocam nos prazeres, outros no sumo bem. Nesse sentido, o sábio seria aquele que sabe direcionar em situação concreta a melhor forma de agir, pois o homem se torna justo praticando atos justos, tendo em vista a mediania, já que a virtude consiste na justa medida e, desse modo, ele é louvado ou censurado por suas virtudes ou vícios.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Trd. Vincenzo Cocco. São Paulo. Abril Cultura, 1979.

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