OLÁ FILÓSOFOS E FILÓSOFAS

Quando iniciamos um curso de Filosofia ou aulas de cunho filosófico, ouvimos a primeira pergunta "filosófica": "Para que serve a Filosofia?"
É a essa e várias outras perguntas que nesse nosso Blog perseguiremos. Não vamos dar respostas prontas, mas nos ajudaremos a encontrarmos nossas respostas!

Boa leitura, boa pesquisa!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A MORTE EM SÓCRATES

Por Jucelino Carvalho
Licenciado em Filosofia pela FAERPI
Bacharel em Teologia pela FAERPI
Graduando em História pela UNEB.

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No diálogo socrático-platônico, o Fédon, na sua quinta parte em diante, Sócrates põe em questão juntamente com seus interlocutores, sobre a questão do desejo da morte pelo verdadeiro amante da sabedoria. Olhando seus discursos, percebe-se que ele seguia a religião do meio em que vivia mas não de forma comum, além de ter influência dos Órficos. Para ele, o corpo é o cárcere da alma ou o túmulo, pois, quando estamos vivos na corporeidade, a nossa alma não está verdadeiramente viva, já que não está voltada para si mesma. O homem, ou seja, a alma humana quando presa ao corpo, está sujeita a diversas mazelas, paixões, desejo de riqueza, que impede a alma de alcançar as virtudes dos deuses, que é a justiça e a verdadeira sabedoria. Para Sócrates, essas virtudes só são conhecidas em parte pelo homem, não chegando à totalidade.
Com isso, todo filósofo que segue e que ama verdadeiramente a sabedoria, não tem outro desejo senão libertar-se do cárcere que é o corpo, apartando-se dele e contemplar o conhecimento na sua completude. Por isso, é necessário ao Filósofo enquanto estiver preso ao corpo, purificar-se ou fugir do mundo, livrando-se ao máximo de suas paixões, para poder um dia viver junto aos deuses.
No entanto, mesmo desejando essa partida, essa saída do corpo, que é a sua libertação, não é permitido ao homem a liberdade de provocar a sua morte, ou seja, o suicídio. Com isso, Sócrates vem a dizer que, mesmo que o indivíduo deseje a morte, não poderia ocasionar, pois um homem dotado de razão não desobedeceria aos deuses. Seguindo as crenças de sua época, ele acreditava serem os "deuses" incumbidos de guardar e zelar os homens, e esses são suas propriedades. Sendo assim, não seria conveniente aceitar que aqueles designados sob sua tutela viessem a tirar a própria vida sem que seja pelas ordens da divindade. Por isso que ele aceita a sua morte como cumprimento da lei, seria mais uma questão de cidadania. Indo um pouco ao final do discurso, se vê Sócrates pedindo a Críton para que esse oferecesse uma oferenda ao deus saúde Asclépio, e ele acreditar estar sendo liberto do cárcere do corpo. Essa oferenda é ao mesmo tempo uma sátira como agradecimento pela sua liberdade.
Assim, o homem que é provido de razão e verdadeiro amante da sabedoria, deseja a morte, mas assim como todos, mesmo quando se trata daqueles que vivem uma vida "miserável" que seria melhor a morte, para Sócrates nenhum indivíduo tem o direito e liberdade de tirar sua própria vida, cabendo assim aos "deuses" julgar o melhor tempo. Conclui-se então a liberdade humana para Sócrates é limitada.

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