
UM APÓLOGO
Por Jucelino Carvalho
No texto Um Apólogo de Machado de Assis, há um conflito entre a agulha e a linha, a agulha inicia essa discussão, querendo ser mais importante do que um novelo de linha na costura de um vestido. Ela se acha superior por ir à frente puxando a outra, no entanto, a linha contesta que ela é superior, pois, ela prendia os pedaços de pano e unia os babados. Então a costureira chega e começa a coser o vestido até terminá-lo, para que a baronesa possa vestir em um baile. A linha por sua vez afronta a agulha mostrando que ela é a melhor, pois, vai ao baile, enquanto a agulha volta para a caixa de costura, no balaio das mucamas. Só o alfinete fica de fora dando opinião, pois esse não necessita de ninguém, onde o espetarem ele fica, buscando viver independente.
O texto é uma narrativa com características de uma fábula, que assim como um mito não é uma verdade, mas busca passar uma lição moral. As personagens principais são seres inanimados, a agulha e a linha que estão em âmbitos distintos: enquanto a agulha causa o conflito, a linha mantém seu ar de superioridade, assim também, a costureira faz o vestido e a baronesa quem o usa em um baile. No conto há uma repetição de palavras principalmente o nome das personagens, isso é comum em diálogos, para apresentar a fala de cada personagem. É um texto irônico, que mostra nos objetos comportamentos como os próprios humanos, com a finalidade de levar o leitor a uma reflexão sobre as qualidades humanas, virtudes e defeitos morais. Está escrito em terceira pessoa, fazendo uso de verbos sempre no pretérito perfeito, e em seu dialogo é usada uma figura de linguagem; a personificação ou prosopopéia, dando fala aos seres. O vocabulário do texto é bem rebuscado, fazendo uso de palavras próprias da época em que foi escrito, levando o leitor a conhecer e ter curiosidade sobre essa linguagem.
O autor mostra com muita clareza, o papel de cada personagem do texto, desenvolvendo um diálogo entre elas, mostrando a atitude de cada uma e o ar de superioridade que há nelas. Contextualizando esse texto com a realidade atual, pode se notar que isso acontece muitas vezes no âmbito profissional, onde a agulha e a linha do texto se encaixam muito bem. Sempre houve, pois, isso não mudou muito, uma divisão entre aqueles que são intelectuais, alfabetizados (linha), e aqueles que por não ter uma formação intelectual, exercem profissões nas quais o trabalho é braçal (agulha), os quais são colocados a margem da sociedade. Alem disso há também aqueles que mesmo tendo estudado, não são valorizados pela sociedade capitalista, onde o que tem maior aquisição financeira é considerado o melhor. Um exemplo são os professores brasileiros, principalmente os da rede pública que ao irem para uma sala de aula ensinar, tentam com suas capacidades passar seus conhecimentos para os alunos no objetivo de que esses possam ser cidadãos dignos e profissionais. Os jovens que por sua vez são orientados por esses profissionais, quando alcançam um bom cargo profissional ou chegam a um nível superior, passam a acharem-se melhores que os seus educadores e até zombam deles, desvalorizando seu trabalho na educação. Os professores além de serem mal remunerados, pois, os próprios órgãos governamentais não dão importância à educação, são desvalorizados por alguns jovens que se acham “doutores” sendo ou não. Por isso que no fim do texto um “professor de melancolia”, ou seja, um mestre na arte da conformidade, do desgosto, diz ter servido de agulha para muita linha ordinária. Isso é o que acontece, os profissionais da educação sempre servem de agulha, abrindo caminhos para qualquer linha ordinária e mal agradecida.
Por tudo isso se conclui que em uma sociedade há uma dependência entre profissões, pois assim como no texto, a linha precisa da agulha para furar o tecido e puxá-la, e a agulha precisa da linha para unir o pano, sem isso seu trabalho seria em vão. Quem trabalha nas grandes metrópoles em escritórios, necessitam daqueles que trabalham no plantio debaixo de sol, daqueles que trabalham nas fábricas e vice versa. Todos os profissionais precisam conscientizar-se que todo trabalho é digno e merece ser valorizado, pois, uma área necessita de outra. Assim todos devem ser respeitados e valorizados como cidadãos dignos, que trabalham em prol do desenvolvimento de uma nação.
Por Jucelino Carvalho
No texto Um Apólogo de Machado de Assis, há um conflito entre a agulha e a linha, a agulha inicia essa discussão, querendo ser mais importante do que um novelo de linha na costura de um vestido. Ela se acha superior por ir à frente puxando a outra, no entanto, a linha contesta que ela é superior, pois, ela prendia os pedaços de pano e unia os babados. Então a costureira chega e começa a coser o vestido até terminá-lo, para que a baronesa possa vestir em um baile. A linha por sua vez afronta a agulha mostrando que ela é a melhor, pois, vai ao baile, enquanto a agulha volta para a caixa de costura, no balaio das mucamas. Só o alfinete fica de fora dando opinião, pois esse não necessita de ninguém, onde o espetarem ele fica, buscando viver independente.
O texto é uma narrativa com características de uma fábula, que assim como um mito não é uma verdade, mas busca passar uma lição moral. As personagens principais são seres inanimados, a agulha e a linha que estão em âmbitos distintos: enquanto a agulha causa o conflito, a linha mantém seu ar de superioridade, assim também, a costureira faz o vestido e a baronesa quem o usa em um baile. No conto há uma repetição de palavras principalmente o nome das personagens, isso é comum em diálogos, para apresentar a fala de cada personagem. É um texto irônico, que mostra nos objetos comportamentos como os próprios humanos, com a finalidade de levar o leitor a uma reflexão sobre as qualidades humanas, virtudes e defeitos morais. Está escrito em terceira pessoa, fazendo uso de verbos sempre no pretérito perfeito, e em seu dialogo é usada uma figura de linguagem; a personificação ou prosopopéia, dando fala aos seres. O vocabulário do texto é bem rebuscado, fazendo uso de palavras próprias da época em que foi escrito, levando o leitor a conhecer e ter curiosidade sobre essa linguagem.
O autor mostra com muita clareza, o papel de cada personagem do texto, desenvolvendo um diálogo entre elas, mostrando a atitude de cada uma e o ar de superioridade que há nelas. Contextualizando esse texto com a realidade atual, pode se notar que isso acontece muitas vezes no âmbito profissional, onde a agulha e a linha do texto se encaixam muito bem. Sempre houve, pois, isso não mudou muito, uma divisão entre aqueles que são intelectuais, alfabetizados (linha), e aqueles que por não ter uma formação intelectual, exercem profissões nas quais o trabalho é braçal (agulha), os quais são colocados a margem da sociedade. Alem disso há também aqueles que mesmo tendo estudado, não são valorizados pela sociedade capitalista, onde o que tem maior aquisição financeira é considerado o melhor. Um exemplo são os professores brasileiros, principalmente os da rede pública que ao irem para uma sala de aula ensinar, tentam com suas capacidades passar seus conhecimentos para os alunos no objetivo de que esses possam ser cidadãos dignos e profissionais. Os jovens que por sua vez são orientados por esses profissionais, quando alcançam um bom cargo profissional ou chegam a um nível superior, passam a acharem-se melhores que os seus educadores e até zombam deles, desvalorizando seu trabalho na educação. Os professores além de serem mal remunerados, pois, os próprios órgãos governamentais não dão importância à educação, são desvalorizados por alguns jovens que se acham “doutores” sendo ou não. Por isso que no fim do texto um “professor de melancolia”, ou seja, um mestre na arte da conformidade, do desgosto, diz ter servido de agulha para muita linha ordinária. Isso é o que acontece, os profissionais da educação sempre servem de agulha, abrindo caminhos para qualquer linha ordinária e mal agradecida.
Por tudo isso se conclui que em uma sociedade há uma dependência entre profissões, pois assim como no texto, a linha precisa da agulha para furar o tecido e puxá-la, e a agulha precisa da linha para unir o pano, sem isso seu trabalho seria em vão. Quem trabalha nas grandes metrópoles em escritórios, necessitam daqueles que trabalham no plantio debaixo de sol, daqueles que trabalham nas fábricas e vice versa. Todos os profissionais precisam conscientizar-se que todo trabalho é digno e merece ser valorizado, pois, uma área necessita de outra. Assim todos devem ser respeitados e valorizados como cidadãos dignos, que trabalham em prol do desenvolvimento de uma nação.
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